
FIRMES NA ESPERANÇA
«No íntimo do vosso coração, confessai Cristo como Senhor, sempre
dispostos a dar a razão da vossa esperança a todo aquele que vo-la peça» (1Pe
3, 15)
Amados irmãos e irmãs,
Damos
início ao Novo Ano Pastoral celebrando ainda o Ano da Fé proclamado por Sua
Santidade Bento XVI. Tem sido um ano muito rico, a avaliar pelos múltiplos ecos
que nos chegam das diversas comunidades paroquiais, grupos e organismos. Este
ano de graça continua a ser uma boa oportunidade de vigorar a nossa fé,
aprofundando, celebrando e testemunhando as verdades que Deus nos revelou em
Jesus Cristo e às quais aderimos com alegria. O Ano da fé veio abrir novos
horizontes que a fé nos faz ver.
Motivados
pela convocação do ano jubilar, decidimos definir um plano pastoral diocesano para
três anos que gravita em torno das três virtudes teologais: Alegria de crer,
vivendo na esperança, para anunciar o Evangelho do amor. Entramos agora no
segundo ano deste triénio. Será o Ano da Esperança: firmes na Esperança
é o nosso lema. Todo aquele que acredita em Deus abre-se à esperança. Rogamos
ao Espírito Santo, que é luz no nosso caminho, para que Ele venha fazer crescer
em nós as asas da esperança, expressão bonita que o Papa Francisco usa na
Introdução à sua recente Carta Encíclica Lumen Fidei, nº
7.
O
Mundo precisa de esperança para viver e para encontrar sabor existencial. Nós,
os cristãos em todos os tempos, mas particularmente neste, somos chamados a
levar a esperança cristã àqueles que a não têm. Cristo é a esperança da
humanidade, a Sua luz brilha no rosto dos cristãos como num espelho, e estes,
por sua vez, devem reflectir para os outros essa mesma luz. Inúmeras são as
situações de confusão, dúvidas, incertezas, medos, desorientações, em que vivem
muitos irmãos nossos. O mais fácil é atribuir isso à tão falada “crise” que infelizmente
assola muitos povos e com repercussão directa no nosso país. Mas, não será
certamente uma atitude cristã limitar-se a associar a nossa voz às muitas vozes
de lamento, tantas vezes oportunistas e estéreis que mais semeiam a
intranquilidade e a desconfiança uns nos outros em vez de ser um contributo
ajustado para ajudar a resolver os problemas reais das pessoas.
A
nossa fé não nos afasta do mundo nem nos faz indiferentes ou alheios aos
esforços concretos dos nossos contemporâneos. «Urge recuperar o carácter de
luz que é próprio da fé, pois, quando a sua chama se apaga, todas as outras
luzes acabam também por perder o seu vigor» (Lumen Fidei, 4). A luz
da fé é aquela capaz de iluminar toda a existência do homem; ela ilumina a vida
social: possui uma luz criadora para cada momento novo da história (cf. LF 55)
Lendo
os sinais deste tempo à luz da fé encontramos aqui uma excelente oportunidade
de sermos portadores da esperança para os nossos irmãos a quem Deus nos envia sem
cessar. O Papa Francisco, no encerramento da JMJ Rio 2013, desafiou os jovens e
nós todos dizendo: “ide… sem medo… para servir”. Nas nossas acções pastorais
e no nosso modo de agir, tenhamos em conta as sucessivas interpelações do Papa:
é necessário ir às periferias, sair do nosso lugar acomodado e seguro para ir
ao encontro daqueles que estão longe, esquecidos, marginalizados e ignorados e
levá-los a esperança e o amor que nos vem de Deus. A esperança salva; somos salvos
na esperança como diz o Apóstolo (cf. Rom 8, 24).
Convido-vos,
irmãos e irmãs no Senhor, a ensaiar durante este ano uma Pastoral da Esperança,
virtude tipicamente cristã que motiva a confiança e gera paz e alegria. Unida
à fé e à caridade, a esperança projecta-nos para um futuro certo, dá-nos
força e coloca-nos numa nova perspectiva de vida (cf. LF 57). Terão um
lugar privilegiado no nosso coração e na nossa acção pastoral, as pessoas enlutadas
e para quem a morte é um drama sem luz e um caminho sem meta, os que sofrem desconsolados
e sós, os jovens e as famílias a quem falta trabalho, pão e a dignidade e que
perderam a confiança na vida, os que vivem encarcerados e os doentes.
Deparamos
com muitas situações de desesperança bem perto de nós: ser Igreja de Cristo é
fazer tudo para levar imperiosamente luz e calor aos corações que vivem na dor
e na angústia. Actuar deste modo será dar um belo testemunho de Jesus Cristo no
mundo de hoje e uma boa maneira de continuar a tarefa de nova evangelização de
que tanto temos ensaiado.
Maria,
Nossa Mãe, dirija para a nossa Igreja o Seu olhar de esperança e nos ajude a
colocar luz na vida!
Mindelo, 8 de Setembro
de 2013 – Festa da Natividade da Virgem Santa Maria
†Ildo Fortes
Bispo de Mindelo