sábado, 30 de março de 2013

Onde está Jesus?


Onde está Jesus?

Não está aqui! Ressuscitou!
O sepulcro vazio!

Esta foi e continua a ser a grande novidade!

Aquelas mulheres na madrugada de Domingo de Páscoa
ficaram surpreendidas...
mas também apreensivas e cheias de alegria.
Os discípulos, Pedro e João, foram averiguar
o que acontecera de facto: Viram, ficaram também
cheios de alegria e acreditaram!

Quando tudo parecia ter desmoronado e onde a tristeza
começara a vencer, surge agora uma nova Luz!
Quem acreditou na figura do Servo de Sofredor?
Quem aceitou a humilhação da Cruz?
Quem permaneceu firme? Quem esperava a Ressurreição?
Todas estas questões de novo se colocam para nós!

E é na nossa vida, no meios das alegrias, das hesitações,
das certezas e das lutas de cada dia que vamos encontrar a resposta!
Onde está Jesus?

Cristo Ressuscitado, precisamente porque tem uma dimensão cósmica e universal, está em todo o mundo!
Acessível a todos aqueles que o procuram de coração sincero
Busquemo-Lo na vida sempre oculto!
Celebremo-Lo na Igreja que vive da Páscoa do Senhor!

Ildo Fortes, Páscoa 2004

quarta-feira, 27 de março de 2013

NOTA DIA DA CARITAS - DIOCESE MINDELO


                                  Nota por Ocasião do Dia da Caritas



II DOMINGO DA QUARESMA – 24 FEV 2013


Senhores Párocos e comunidades cristãs da Diocese de Mindelo,

Feliz caminhada quaresmal para todos vós e para as vossas comunidades!

Como é habitual, o segundo Domingo da Quaresma é dedicado à Caritas - organismo oficial da Igreja destinado a promover, através da caridade cristã, a assistência e a promoção integral dos menos favorecidos. A Caritas de Mindelo tem como orientações fundamentais a Doutrina Social da Igreja e as definidas pelo plano pastoral diocesano, os imperativos da solidariedade e a legislação civil e canónica, atribuindo prioridade às situações mais graves de pobreza e de exclusão social (Sobre os seus objectivos específicos, ver artigo 3º dos estatutos que seguem em anexo).

A Caritas de Mindelo foi canonicamente erecta em 21 de Janeiro de 2005, goza de autonomia administrativa e financeira e tem natureza fundacional nos termos do Direito Canónico.
Após um longo e fecundo período de reflexão inter-diocesana que ocorreu entre 2010 e 2011, com a participação dos dois bispos, alguns sacerdotes, religiosos e leigos mais afectos à Caritas, decidimos reformular os estatutos da Caritas Caboverdiana de modo a adaptar-se melhor à nova situação de haver duas dioceses no país. Na mesma ocasião aproveitamos para criar os estatutos específicos das duas caritas diocesanas que não havia e elaborar um plano estratégico de acção. Uma vez criados e aprovados os estatutos da caritas diocesana, tratamos de constituir os órgãos sociais que a compõem. A título informativo, a Dra. Maria do Rosário Borges é a presidente da Direcção e o Padre Pieraldo Delfino, Pároco de Porto Novo é o assistente eclesiástico. Da mesma direcção, fazem parte ainda, o Diácono João Ramos, a irmã franciscana, Maria Alves e a Brúcia Brito. Esta direcção está em funções desde o verão passado.

A colecta do II Domingo da Quaresma, destina-se à Caritas Diocesana. Actualmente e desde há algum tempo, a nossa Caritas atravessa uma fase crítica de recursos financeiros, para fazer frente às despesas inerentes ao seu próprio funcionamento e para acudir às situações graves de pobreza que infelizmente cada vez mais batem à porta de muitos irmãos nossos. Esta escassez de meios é agravada pela crise financeira que atingiu muitos dos países e instituições, nossos benfeitores, sobretudo na Europa.
Contamos com a vossa preciosa ajuda para sensibilizar os nossos fiéis para nesse domingo deixarem o coração agir em favor dos mais carenciados que a nossa caritas procurará atender!
Fraternalmente em Cristo, caminho para Páscoa!
Mindelo, 15 de Fevereiro de 2013

                    † Ildo Fortes, Bispo de Mindelo
Nota: Pede-se uma boa divulgação e reflexão, sobretudo junto das Antenas da Caritas, da mensagem do Papa tão oportuna para a Quaresma de 2013, Crer na caridade suscita caridade.

MENSAGEM PARA A QUARESMA 2013

Subamos com fé ao monte do encontro com Deus Amor!

Queridos irmãos e irmãs,
Chegamos à Quaresma, tempo eminentemente de preparação para a maior festa cristã de todos os tempos – A Páscoa. O simbolismo do caminho inspira o estilo da nossa progressão espiritual. Encetamos uma caminhada interior; uma aventura pessoal e comunitária de fé e de amor pelo deserto da conversão. O autor da Carta aos Hebreus convida a esta escalada de fé, para se alcançar a misericórdia: «Aproximemo-nos, então, com grande confiança, do trono da graça, a fim de alcançar misericórdia e encontrar graça para uma ajuda oportuna» (Heb 4, 16).
O Santo Padre, mais uma vez, na Quaresma, oferece-nos uma mensagem amplamente catequética, com uma densidade espiritual forte e que interpela o nosso viver cristão neste ano da fé. O Papa entrelaça de uma forma genial as duas virtudes teologais, fé e caridade, mostrando-nos como a fé, que toma consciência do amor de Deus revelado no coração trespassado de Jesus na cruz, suscita por sua vez o amor. Fé e amor são indissociáveis para uma vivência cristã coerente. Recomendo vivamente a leitura, o estudo e a meditação desta mensagem intitulada crer na caridade suscita caridade.
Parafraseando o Papa, vamos «subir ao monte do encontro com Deus e depois voltar a descer, trazendo o amor e a força que daí derivam, para servir os nossos irmãos e irmãs com o próprio amor de Deus». Só contemplando o amor de Deus que resplandece no rosto de Jesus Cristo estaremos verdadeiramente aptos para nos abeirarmos dos nossos irmãos e servi-los de forma edificante e salvífica. Para isso, contribui muito as práticas tradicionais que a Mãe Igreja nos recomenda: a oração, o jejum e a penitência. Nos sermões de São Leão Magno diz-se que «aquilo que cada cristão deve praticar em todo o tempo, deve praticá-lo agora com maior solicitude e devoção, para que se cumpra a santa instituição apostólica do jejum quaresmal, que consiste não apenas na abstenção dos alimentos, mas também e sobretudo em abster-se do pecado».
Fé e caridade orientam-se uma para a outra como o Baptismo (sacramentum fidei) e a Eucaristia (sacramentum caritatis); uma leva à outra e uma supõe a outra. Nesta quaresma do ano da fé, havemos de procurar nas nossas comunidades, redescobrir e celebrar de maneira profunda e bela esses dois sacramentos. Na tradição da Igreja são muitos os que se alegram por renascerem na festa da Páscoa pelo Baptismo e os outros que já pertencem à família dos filhos adoptivos, preparam-se para renovar a sua condição de baptizados. A Eucaristia, sacramento do amor é o pão com que Deus alimenta e fortalece os seus filhos, e dela partimos em missão para servir e amar os homens nossos irmãos.
A Palavra de Deus, como nos testemunha o Filho de Deus no Evangelho do 1º Domingo da Quaresma, é a força e o remédio para enfrentarmos as investidas do demónio, o inimigo da nossa alma e da nossa salvação. A Palavra de Deus ocupará um lugar privilegiado ao longo destes quarenta dias de «procura» e «encontro». Ela fará com que a nossa caridade vá para além da justiça. Como afirma Sua Santidade: «a maior obra de caridade é precisamente a evangelização, ou seja,  o ‘serviço da Palavra’. Não há acção mais benéfica e, por conseguinte, caritativa com o próximo do que repartir-lhe o pão da Palavra de Deus, fazê-lo participante da Boa Nova do Evangelho, introduzi-lo no relacionamento com Deus: a evangelização é a promoção mais alta e integral da pessoa humana». A Beata Teresa de Calcutá afirmava algo semelhante a isto: quem não dá Deus, dá muito pouco e dizia que «a primeira pobreza dos povos é não conhecer Cristo».
Por isso, irmãos vamos ao encontro de Deus neste tempo favorável em que Ele nos acompanha de modo especial com o Seu Espírito de Amor para podermos prosseguir com fé e alegria a bela tarefa da nova evangelização que será acreditada pelo testemunho do amor.
A nossa renúncia quaresmal deste ano, que esperamos ser fruto na nossa fé, a fé que actua pela caridade (cf. Gal 5, 6), vai servir para criar um fundo de ajuda aos estudantes universitários mais necessitados que se deslocam das outras ilhas para as universidades e pólos universitários sediados em Mindelo e que se confrontam com frequência com grandes dificuldades ao nível da alimentação, alojamento e outros bens de primeira necessidade. Muitas vezes, alguns deles procuram as nossas paróquias para os ajudar em alguma refeição ou outra coisa que lhes faz falta. Apostar na formação da nossa juventude é contribuir para o desenvolvimento da nossa terra. Sejamos generosos na partilha!
Deus nos abençoe com o Seu amor de Pai nesta caminhada para a Páscoa da Ressurreição!

Mindelo, 13 de Fevereiro de 2013, Quarta-feira de Cinzas


† Ildo Fortes, Bispo de Mindelo

 

                          NOTA PASTORAL NO INICIO DO ANO PASTORAL 2012-13

Alegria de Acreditar



Queridos irmãos e irmãs,
Eis que o Espírito Santo faz novas todas as coisas! Iniciando mais um ano pastoral, o Senhor Jesus que está sempre connosco, dá-nos em abundância o Seu Espírito, para a nossa renovação interior e para guiar os nossos passos. É sempre Ele que nos confirma na fé e reconduz à missão. O caminho da Igreja, o nosso caminho, é um caminho que nunca está acabado. Neste Ano da Fé, diz-nos o Papa, na Carta Apostólica Porta Fidei, que «A Porta da Fé, que introduz na vida de comunhão com Deus e permite a entrada na sua Igreja, está sempre aberta para nós. Atravessar esta porta implica embrenhar-se num caminho que dura a vida inteira» (Porta Fidei, nº1). Portanto, para todos nós, em qualquer circunstância, novos trilhos estão para serem percorridos.
Em sintonia com o Santo Padre, que proclama um Ano da Fé para comemorar os 50 anos da abertura do Concílio Vaticano II e os 20 anos da publicação do Catecismo da Igreja Católica, propusemos para a Diocese, viver este ano sob o lema Alegria de acreditar. Levar o nosso mundo à descoberta da fé cristã é a razão do nosso anúncio, mas para isso é necessário avivar o nosso entusiasmo para o encontro com Cristo. «O cristianismo não é obra de persuasão, mas de grandeza», afirmou Santo Inácio de Antioquia. A beleza do Evangelho renova a vida e a cultura. Um excelente contributo que podemos oferecer aos homens do nosso tempo é ajudar a compreender que pode haver um diálogo criativo e uma convivência fecunda entre a fé e a razão. Desejamos pôr o amor na vida, comunicar o amor, porque a «fé actua pelo amor» (Gl 5, 6) e no dizer do teólogo suíço, Hans Urs von Balthasar, «só o amor é digno fé».

Há que admitir que infelizmente a cultura dominante é a do vazio e do esvaziamento dos valores da família. A família, sonhada e amada pelo Criador, é sagrada. Sem ela o homem não é feliz. É gratificante notar que em algumas zonas da Diocese tem crescido o número de matrimónios. Uma família sã, sólida e estável é, sem sombra de dúvidas, uma alavanca que faz erguer a Igreja e a sociedade. A secularização do matrimónio só tem trazido consequências más para a nossa sociedade e faz comprometer a nossa felicidade. Lembremos o saudoso Beato João Paulo II, que dizia: é preciso ensinar a amar.

Há já alguns anos que a nossa Diocese tem apostado na Nova Evangelização e esta continua a ser uma prioridade para nós. O ano passado o nosso lema pastoral foi «Por uma Família Cristã e Missionária». Foi com muito agrado que verificamos que, de uma maneira geral, todas as paróquias, em todas as ilhas, viveram de modo muito intenso essa temática que na prática se traduziu em inúmeras iniciativas formativas, celebrativas e testemunhais. Espero que esta dinâmica adquirida em torno da família não esmoreça, mas que continue e se intensifique ainda mais neste ano da fé. Tenha-se em conta que a família não é apenas objecto de evangelização, mas é ela própria, sujeito importantíssimo de evangelização. Proponho que se dê especial atenção à pastoral familiar em toda a Diocese. Não hesitemos em facultar subsídios e livros acessíveis e úteis para a formação das famílias, como por exemplo: A Escolha da Família, de Jean Laffitte, nomeado pelo Papa Bento XVI secretário do Conselho Pontifício para a Família. A família, na organização da pastoral diocesana e paroquial, é um sector transversal que toca todas as realidades dos nossos fiéis.

O Secretariado Diocesano da Família pensa organizar uma peregrinação à Terra Santa, para ir em busca dos lugares sagrados onde se deram tantos acontecimentos fundantes da nossa fé. Estamos todos convidados a integrar esta peregrinação em ano tão especial. E falando de peregrinações, ocorre-me recordar aqui o convite deixado pelo Santo Padre aos jovens, para se encontrarem com ele no Rio de Janeiro nas próximas Jornadas Mundiais da Juventude – Julho de 2013. Bom seria que os nossos jovens, conseguissem, em bom número, integrar estas Jornadas, que estão a ser preparadas pelo nosso Secretariado Diocesano da Juventude.

Neste ano somos desafiados a trazer a fé para o centro da nossa vida na Igreja e no mundo. Com o Papa, desejamos que este Ano suscite, em cada crente, o anseio de confessar a fé plenamente e com renovada convicção; seja ocasião propícia também para intensificar a celebração da fé na liturgia; esperamos que o testemunho de vida dos crentes cresça na sua credibilidade. Trata-se de descobrir os conteúdos da fé professada, celebrada, vivida e rezada (Cf. PF nº 9). Saliento a tónica que o Santo Padre coloca na fé vivida com alegria. É um privilégio o dom da fé cristã que recebemos. O encontro com Jesus Cristo é a maior graça que aconteceu na nossa vida. Como não manifestar isso ao longo deste ano com a nossa vida pessoal e comunitária?! Estamos diante de uma oportunidade favorável para manifestar a beleza da nossa fé. Beleza em todos os seus aspectos. Iremos cuidar e valorizar o mais possível as nossas celebrações, sobretudo a Eucaristia que é «a meta para a qual se encaminha a acção da Igreja e a fonte de onde promana toda a sua força» (Conc. Vaticano II, Sacrosanctum Concilium, nº 10). Celebrar bem, com beleza, verdade e profundidade é um fecundo meio de evangelizar e testemunhar a nossa fé. A força da Palavra e a graça do Sacramento nos enriquecem sobremaneira e faz de nós apóstolos com mais ardor e audácia. Neste sentido, e em contexto litúrgico, creio que estamos diante de uma boa ocasião para que todas as famílias se preparem para fazerem uma solene profissão de fé no seio da comunidade paroquial. (Estamos a preparar um desdobrável especial com as diversas versões do Credo para uso nas comunidades). O Papa Bento XVI propõe que nas nossas catedrais e nas igrejas do mundo inteiro, nas casas e no meio das nossas famílias, encontremos oportunidades para confessar a fé no Senhor Ressuscitado. Para tal, há que sentir a exigência de conhecer melhor e transmitir às gerações futuras a fé de sempre (cf. PF nº8).

Faremos a abertura solene do Ano da Fé na Diocese, dia 14 de Outubro, dia em que vamos ordenar cinco diáconos permanentes na zona norte de Santo Antão. Esta feliz notícia da ordenação destes diáconos e mais outros cinco (nos meses de Outubro e Novembro) para o serviço da nossa Igreja é um grande sinal de esperança e compromisso. As vocações são um dom do amor de Deus e fruto da oração e do compromisso das comunidades. Os primeiros seminaristas finalistas da Diocese regressam ao Mindelo por estes dias, a fim de fazerem o estágio pastoral em ordem à ordenação diaconal e sacerdotal que, se Deus quiser, acontecerá no decorrer deste ano pastoral. Tudo isso é motivo de louvor a Deus e estímulo para aumentar ainda mais a nossa fé. Haja mais e santas vocações, nas diversas formas de vida para a nossa Igreja.

Maria, Mãe de Deus e estrela da Nova Evangelização, Aquela que é «feliz porque acreditou» (cf. Lc 1, 45) nos acompanhe neste tempo de graça!


Um abraço fraterno em Cristo,

Lisboa, 29 de Setembro de 2012, Festa dos Arcanjos S. Miguel, S. Gabriel e S. Rafael

                                                                                             
Assinatura Ildo                                                              
                                                                                              Assinatura Ildo                              
                                                                               † Ildo Fortes, Bispo de Mindelo