quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Dom Ildo Fortes - Carta Pastoral 2013-14



FIRMES NA ESPERANÇA
«No íntimo do vosso coração, confessai Cristo como Senhor, sempre dispostos a dar a razão da vossa esperança a todo aquele que vo-la peça» (1Pe 3, 15)


Amados irmãos e irmãs,
Damos início ao Novo Ano Pastoral celebrando ainda o Ano da Fé proclamado por Sua Santidade Bento XVI. Tem sido um ano muito rico, a avaliar pelos múltiplos ecos que nos chegam das diversas comunidades paroquiais, grupos e organismos. Este ano de graça continua a ser uma boa oportunidade de vigorar a nossa fé, aprofundando, celebrando e testemunhando as verdades que Deus nos revelou em Jesus Cristo e às quais aderimos com alegria. O Ano da fé veio abrir novos horizontes que a fé nos faz ver.
Motivados pela convocação do ano jubilar, decidimos definir um plano pastoral diocesano para três anos que gravita em torno das três virtudes teologais: Alegria de crer, vivendo na esperança, para anunciar o Evangelho do amor. Entramos agora no segundo ano deste triénio. Será o Ano da Esperança: firmes na Esperança é o nosso lema. Todo aquele que acredita em Deus abre-se à esperança. Rogamos ao Espírito Santo, que é luz no nosso caminho, para que Ele venha fazer crescer em nós as asas da esperança, expressão bonita que o Papa Francisco usa na Introdução à sua recente Carta Encíclica Lumen Fidei, nº 7.
O Mundo precisa de esperança para viver e para encontrar sabor existencial. Nós, os cristãos em todos os tempos, mas particularmente neste, somos chamados a levar a esperança cristã àqueles que a não têm. Cristo é a esperança da humanidade, a Sua luz brilha no rosto dos cristãos como num espelho, e estes, por sua vez, devem reflectir para os outros essa mesma luz. Inúmeras são as situações de confusão, dúvidas, incertezas, medos, desorientações, em que vivem muitos irmãos nossos. O mais fácil é atribuir isso à tão falada “crise” que infelizmente assola muitos povos e com repercussão directa no nosso país. Mas, não será certamente uma atitude cristã limitar-se a associar a nossa voz às muitas vozes de lamento, tantas vezes oportunistas e estéreis que mais semeiam a intranquilidade e a desconfiança uns nos outros em vez de ser um contributo ajustado para ajudar a resolver os problemas reais das pessoas.
A nossa fé não nos afasta do mundo nem nos faz indiferentes ou alheios aos esforços concretos dos nossos contemporâneos. «Urge recuperar o carácter de luz que é próprio da fé, pois, quando a sua chama se apaga, todas as outras luzes acabam também por perder o seu vigor» (Lumen Fidei, 4). A luz da fé é aquela capaz de iluminar toda a existência do homem; ela ilumina a vida social: possui uma luz criadora para cada momento novo da história (cf. LF 55)
Lendo os sinais deste tempo à luz da fé encontramos aqui uma excelente oportunidade de sermos portadores da esperança para os nossos irmãos a quem Deus nos envia sem cessar. O Papa Francisco, no encerramento da JMJ Rio 2013, desafiou os jovens e nós todos dizendo: “ide… sem medo… para servir”. Nas nossas acções pastorais e no nosso modo de agir, tenhamos em conta as sucessivas interpelações do Papa: é necessário ir às periferias, sair do nosso lugar acomodado e seguro para ir ao encontro daqueles que estão longe, esquecidos, marginalizados e ignorados e levá-los a esperança e o amor que nos vem de Deus. A esperança salva; somos salvos na esperança como diz o Apóstolo (cf. Rom 8, 24).
Convido-vos, irmãos e irmãs no Senhor, a ensaiar durante este ano uma Pastoral da Esperança, virtude tipicamente cristã que motiva a confiança e gera paz e alegria. Unida à fé e à caridade, a esperança projecta-nos para um futuro certo, dá-nos força e coloca-nos numa nova perspectiva de vida (cf. LF 57). Terão um lugar privilegiado no nosso coração e na nossa acção pastoral, as pessoas enlutadas e para quem a morte é um drama sem luz e um caminho sem meta, os que sofrem desconsolados e sós, os jovens e as famílias a quem falta trabalho, pão e a dignidade e que perderam a confiança na vida, os que vivem encarcerados e os doentes.
Deparamos com muitas situações de desesperança bem perto de nós: ser Igreja de Cristo é fazer tudo para levar imperiosamente luz e calor aos corações que vivem na dor e na angústia. Actuar deste modo será dar um belo testemunho de Jesus Cristo no mundo de hoje e uma boa maneira de continuar a tarefa de nova evangelização de que tanto temos ensaiado.
Maria, Nossa Mãe, dirija para a nossa Igreja o Seu olhar de esperança e nos ajude a colocar luz na vida!

Mindelo, 8 de Setembro de 2013 – Festa da Natividade da Virgem Santa Maria



                       †Ildo Fortes

       Bispo de Mindelo

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