MENSAGEM PARA A QUARESMA 2013
Subamos com fé ao monte do encontro
com Deus Amor!
Queridos
irmãos e irmãs,
Chegamos
à Quaresma, tempo eminentemente de preparação para a maior festa cristã de
todos os tempos – A Páscoa. O simbolismo do caminho
inspira o estilo da nossa progressão espiritual. Encetamos uma caminhada
interior; uma aventura pessoal e comunitária de fé e de amor pelo deserto da
conversão. O autor da Carta aos Hebreus convida a esta escalada de fé, para se
alcançar a misericórdia: «Aproximemo-nos, então, com grande confiança, do trono
da graça, a fim de alcançar misericórdia e encontrar graça para uma ajuda
oportuna» (Heb 4, 16).
O
Santo Padre, mais uma vez, na Quaresma, oferece-nos uma mensagem amplamente
catequética, com uma densidade espiritual forte e que interpela o nosso viver
cristão neste ano da fé. O Papa entrelaça de uma forma genial as duas virtudes
teologais, fé e caridade, mostrando-nos como a fé, que toma consciência do amor de Deus revelado no coração
trespassado de Jesus na cruz, suscita por sua vez o amor. Fé e amor são
indissociáveis para uma vivência cristã coerente. Recomendo vivamente a
leitura, o estudo e a meditação desta mensagem intitulada crer na caridade suscita caridade.
Parafraseando
o Papa, vamos «subir ao monte do encontro com Deus e depois voltar a descer,
trazendo o amor e a força que daí derivam, para servir os nossos irmãos e irmãs
com o próprio amor de Deus». Só contemplando o amor de Deus que resplandece no
rosto de Jesus Cristo estaremos verdadeiramente aptos para nos abeirarmos dos
nossos irmãos e servi-los de forma edificante e salvífica. Para isso, contribui
muito as práticas tradicionais que a Mãe Igreja nos recomenda: a oração, o
jejum e a penitência. Nos sermões de São Leão Magno diz-se que «aquilo que cada
cristão deve praticar em todo o tempo, deve praticá-lo agora com maior
solicitude e devoção, para que se cumpra a santa instituição apostólica do
jejum quaresmal, que consiste não apenas na abstenção dos alimentos, mas também
e sobretudo em abster-se do pecado».
Fé
e caridade orientam-se uma para a outra como o Baptismo (sacramentum fidei) e a Eucaristia (sacramentum caritatis); uma leva à
outra e uma supõe a outra. Nesta quaresma do ano da fé, havemos de procurar nas
nossas comunidades, redescobrir e celebrar de maneira profunda e bela esses dois
sacramentos. Na tradição da Igreja são muitos os que se alegram por renascerem
na festa da Páscoa pelo Baptismo e os outros que já pertencem à família dos
filhos adoptivos, preparam-se para renovar a sua condição de baptizados. A
Eucaristia, sacramento do amor é o pão
com que Deus alimenta e fortalece os seus filhos, e dela partimos em missão para
servir e amar os homens nossos irmãos.
A
Palavra de Deus, como nos testemunha o Filho de Deus no Evangelho do 1º Domingo
da Quaresma, é a força e o remédio para enfrentarmos as investidas do demónio,
o inimigo da nossa alma e da nossa salvação. A Palavra de Deus ocupará um lugar
privilegiado ao longo destes quarenta dias de «procura» e «encontro». Ela fará
com que a nossa caridade vá para além da justiça. Como afirma Sua Santidade: «a maior obra de caridade é precisamente a evangelização, ou seja, o ‘serviço
da Palavra’. Não há acção mais benéfica e, por conseguinte, caritativa com o
próximo do que repartir-lhe o pão da Palavra de Deus, fazê-lo participante da
Boa Nova do Evangelho, introduzi-lo no relacionamento com Deus: a evangelização
é a promoção mais alta e integral da pessoa humana». A Beata Teresa de Calcutá
afirmava algo semelhante a isto: quem não
dá Deus, dá muito pouco e dizia que «a primeira pobreza dos povos é não
conhecer Cristo».
Por isso, irmãos vamos ao encontro de Deus neste tempo favorável em que Ele
nos acompanha de modo especial com o Seu Espírito de Amor para podermos
prosseguir com fé e alegria a bela tarefa da nova evangelização que será
acreditada pelo testemunho do amor.
A nossa renúncia quaresmal deste ano, que esperamos ser fruto na nossa fé, a
fé que actua pela caridade (cf. Gal 5, 6),
vai servir para criar um fundo de ajuda aos estudantes universitários mais
necessitados que se deslocam das outras ilhas para as universidades e pólos
universitários sediados em Mindelo e que se
confrontam com frequência com grandes dificuldades ao nível da alimentação, alojamento e outros bens de primeira necessidade.
Muitas vezes, alguns deles procuram as nossas paróquias para os ajudar em
alguma refeição ou outra coisa que lhes faz falta. Apostar na formação da nossa juventude é contribuir
para o desenvolvimento da nossa terra. Sejamos generosos na partilha!
Deus nos abençoe com o Seu amor de Pai nesta caminhada para a Páscoa da
Ressurreição!
Mindelo, 13 de Fevereiro de 2013, Quarta-feira de Cinzas
† Ildo Fortes, Bispo de
Mindelo

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